A construção verde ou sustentável é uma abordagem ambientalmente consciente e eficiente para a criação de estruturas que leva em conta todo o seu ciclo de vida, desde os materiais utilizados até a eficiência do seu uso e disposição dos resíduos decorrentes.

domingo, 30 de junho de 2013

Telhados verdes podem dispensar o uso de ar condicionado.

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Recurso, cuja origem está no paisagismo, transforma capacidade natural das plantas em ferramenta de equilíbrio térmico.

Horizonte desenhado por grandes edificações, solo forrado com concreto e escassez de áreas verdes – o cenário mais conhecido das metrópoles pode estar em vias de mudar com a popularização dos telhados verdes. O recurso inovador, originado de técnicas de paisagismo, transforma a capacidade natural das plantas de absorver gás carbônico e reter calor em ferramenta que trabalha para diminuir a temperatura do ambiente, além de contribuir para a diminuição da poluição do ar nos arredores da construção.

Estudos conduzidos pela EPA (Enviromental Protection Agency), órgão do governo americano para o meio ambiente, apontaram que a temperatura média no verão em um telhado verde pode ser registrada entre 33 e 48 graus, enquanto que, num telhado convencional, chega a atingir a marca de 76 graus.

A disseminação dos tetos verdes pode tornar o uso do ar condicionado obsoleto, pois a estrutura de vegetação que protege uma laje assume o papel de escudo contra o calor do verão tropical e reduz até 30% a temperatura dentro de uma casa, por exemplo. Durante o inverno, a estrutura funciona como isolante térmico ao impedir que o calor armazenado internamente seja liberado.

Mas antes de correr escada acima, é melhor ter em mente que construir um telhado verde envolve muito mais que o mero posicionamento de vasos num espaço vazio. De acordo com Paula Magaldi, paisagista paulistana e especialista na técnica, é preciso saber se o local é adequado para suportar o peso que será colocado por cima.

 

A impermeabilização é um ponto chave que, associado à maneira como será feita a drenagem e o escoamento da água, formam a lista de requisitos que uma edificação tem de preencher para receber os estratos e substratos de vegetação que vão formar a área verde.

Também não basta escolher as primeiras plantas da entrada do supermercado. Apesar de ainda vivermos num mundo onde a flora é vasta e variada, existem espécies que suportam mais incidência de luz que outras ou que precisam de mais manutenção.

O preço final da instalação e manutenção do teto verde, entretanto, depende de variáveis que vão desde o tamanho da área a ser coberta até o tipo de planta que será usada. Mas é possível estimar que os benefícios ecológicos que oferecem podem ser encarados também pelo viés financeiro. “O telhado verde é capaz de valorizar em até 20% o preço de um imóvel”, pontua a paisagista. Além disso, no médio prazo, será possível contar com uma conta de luz mensal mais amigável para o bolso.

Publicado originalmente em 11/11/11 na revistaEXAME.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PEVECERCA Minas: cercas sustentáveis

Por Lessandra Lara em Mercado da Construção Civil no dia 21 de março de 2011

Cada vez mais presentes em nossas vidas, tanto em assuntos familiares quanto nas rodas de amigos, a atitude ecologicamente correta vem tomando proporções cada vez maiores e significativas na sociedade.

Com isto empresas estão buscando adaptar seus produtos e serviços a esta tendência, fazem de tudo para produzirem ecologicamente corretas.

As ações individuais que vão desde a distribuição de brindes, como saquinhos em material não agressivo para a natureza para os pequenos lixos que produz dentro do carro, até mesmo a criação e renovação de seus produtos para uma linha mais ecológica. Uma vez que se faz hoje, uma imagem negativa às empresas que não seguem as novas ações de sustentabilidade.

A PEVECERCA Minas franqueada da PEVECERCA do Brasil chegou a Belo Horizonte trazendo uma inovação sustentável apenas no mercado mineiro.

Os produtos já vêm sendo comercializados a mais de vinte anos. Sendo mais conhecido nos litorais praianos e no sul do Brasil, onde a umidade e a maresia são fatores vilões que deterioram os produtos ferrosos em curto espaço de tempo, determinando uma manutenção constante, e com isto, gerando gastos periódicos com mão de obra como preparação para aplicação de tinta, a pintura em geral e a frequente substituição das peças desgastadas.

Pensando nisto a PEVCERCA chegou ao mercado amenizando estes custos com produtos relacionados à serralheria em geral com produtos não ferrosos, fabricando grades, cercas, portões, portas, sacadas, guarda corpos, pérgulas e outros itens, mas com um diferencial ainda não visto por aqui: o PVC.

Esse plástico, considerado versátil, é utilizado na construção, no mundo da moda, nas embalagens e, até mesmo dentro da medicina como cateteres cardiovasculares. E, agora, produzem no ramo da serralheria grades, portões cercas e muitos outros produtos que poderão estar em diferentes imóveis e durar mais de 50 anos sem necessidade de gastos constantes com manutenção.

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Como é possível?

O produto patenteado tem na sua composição moléculas de cloro e agentes anti UV, que não propaga chamas pela presença do cloro, e também proteção solar onde nos produtos comuns com exposição ao tempo tem em torno de dois a três anos antes que ele comece a dar fissuras, rachar e se tornar quebradiço, os produtos PEVECERCA lhe oferece uma garantia de dez anos contra o processo de deterioração que o produto adquire com as intempéries do tempo – umidade, sol e maresia.

Mas o PVC é um produto frágil, como fazer um portão ou uma grade com este material, alguém poderia facilmente quebrar?

A resposta é NÃO. O produto é recheado internamente em cimento e ferro estriado, galvanizado que oferece ao produto uma resistência extraordinária, que não deixa a desejar quanto a segurança oferecida pelos produtos convencionais. Além das suas vantagens tanto do custo benefício, quanto da questão estética que está em seus produtos.

Vale a pena conferir e inserir nos projetos residenciais, condominiais e até mesmo em projetos de vias públicas, uma vez que, por ter baixa manutenção iria economizar nos cofres públicos e consequentemente a economia gerada (verba de manutenção) poderia ser redirecionada a outros projetos mais importantes do setor.

Em breve terão novos posts referentes à construção e sustentabilidade.

Mais informações sobre as cercas de PVC podem ser obtidas aqui

domingo, 23 de junho de 2013

Ekobuild Tijolos Ecológicos - Ekobuild

O TIJOLO ECOLÓGICO é feito a partir da mistura de solo, cimento e água, essa mistura é prensada com uma pressão
de 8 toneladas, com a finalidade de dar maior resistência e qualidade ao produto final.


Vantagens Ambientais:
Seu processo de produção dispensa a queima, portanto:
- Não contribui com o desmatamento;
- Não emite CO2 ao meio ambiente.


Vantagens Construtivas:
- Obra limpa;
- Melhor aproveitamento dos materiais evitando entulho e desperdício;
- Mais agilidade e facilidade na construção;
- Diminuição de até 80% na utilização de cimento;
- Sistema de construção estrutural;
- Facilita instalações elétricas e hidráulicas;
- Medidas exatas evitando trincas e diferenças no nivelamento das paredes;
- Paredes totalmente niveladas permitindo que azulejos e outros revestimentos sejam aplicados diretamente sem
necessidade de nenhum tipo de reboco;
- Reduz sensivelmente a espessura da camada de reboco, quando utilizado;
- Processo de construção de fácil aprendizagem e semelhante às técnicas estruturais já utilizadas;
- Permite que sejam feitas colunas sem necessidade de caixarias;
- Termo-acústicos, deixando os ambientes internos frescos e menos ruidosos;
- Resistente a mudanças climáticas e maresia.


Vantagens Econômicas:
- Obras muito mais rápidas e que exigem número menor de operários;
- Valor compatível com os tijolos tradicionais;
- Proporciona uma economia ao final da obra de até 40%.

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Fonte:http://guia.construcaoeficiente.com.br

terça-feira, 18 de junho de 2013

Empreendimento ecológico em forma de libélula

 

O edifício Dragonfly propõe a reinserção da natureza no cotidiano das grandes metrópoles

Marcela Farrás

O projeto Dragonfly é um edifício ecológico – em forma de libélula – que foi desenvolvido pela empresa Vincent Callebaut Architectures para resolver o problema da poluição e reconectar a população de Nova York à natureza. Sua estrutura conta com duas torres simétricas transparentes, no formato de asas, que se conectam por meio de uma estufa, climatizada graças ao sistema interno de recolhimento de energia solar. Todas as paredes são preenchidas com hortas e a água utilizada é coletada, tratada e reaplicada nas plantações. Além da arquitetura inteira focada no ideal verde, o projeto do edifício ainda destaca uma belíssima vista do skyline de Nova York.

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Com áreas residenciais e comerciais cercadas de jardins, orquidários, pontes suspensas, plantações de arroz e – surpreendentemente – fazendas cheias de animais, o empreendimento terá como objetivo a produção de alimentos que possam satisfazer os habitantes da cidade. Tudo o que for colhido nesse universo verde será distribuído com maior rapidez e facilidade. Consequentemente, a circulação dos grandes caminhões que, hoje, transportam produtos agrícolas do campo para a metrópole será bastante reduzida.

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aerogerador - FC Solar Energias Alternativas Ltda

Aerogerador é um gerador elétrico integrado ao eixo de um cata-vento cuja missão é converter energia eólica (a partir do
vento) em energia elétrica.


A energia eólica é do tipo renovável, também considerada uma “energia limpa”, que respeita ao meio ambiente, já que não requer uma combustão que produza resíduos poluentes nem a destruição de recursos naturais.


O vento é o resultado da atmosfera em movimento – associação da rotação da Terra e energia solar.


Entre 1 e 2% da energia proveniente do Sol é convertida em energia eólica, que é cerca de 50 á 100 vezes superior a energia convertida em biomassa por todas as plantas da terra.


As diferentes formas de circulação atmosféricas na superfície resultam em ventos, em maior ou menor escala, dependendo da topografia da região, clima, etc.


Os Aerogeradores distribuídos pela FC Solar atendem às normas internacionais de Qualidade e Desempenho e são de fácil instalação.

Fonte:http://guia.construcaoeficiente.com.br

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Arquitetos projetam hotel sustentável em pedreira abandonada

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O escritório de arquitetura Atkins ganhou uma competição internacional de design em 2006 ao criar um hotel-resort sustentável, cinco estrelas no distrito de Songjiang, próximo a Xangai, China.

Este hotel de luxo com quartos debaixo d’água e cachoeiras indoor, está situado a cem metros de profundidade em uma pedreira abandonada.

A água terá um papel importante no design, com destaque a muitas áreas ao redor do hotel. Cachoeiras, aquários debaixo d’água e áreas verdes serão integrados no design para combinar com a cobertura existente da pedreira.

O hotel estende-se a algumas paisagens naturais sobre si mesmo, cobrindo-o do teto ao nível do solo, com terra e vegetação. O telhado verde também mantém o hotel fresco no verão e quente no inverno.

A pedreira foi escavada muito profundamente o que facilitará o aproveitamento da energia geotérmica do local, barateando o custo e reduzindo os gastos energéticos. Não se sabe sobre exatamente quanto de sua energia será gerada desta forma, mas poderia fornecer todas as necessidades de aquecimento e eletricidade do hotel. A pedreira também irá fornecer uma boa fonte de controle de calor e abrigo contra o meio ambiente.

O corpo central da construção receberá luz natural, que utiliza as rochas existentes com suas cachoeiras e vegetação. Dois níveis subaquáticos abrigarão um restaurante, quartos e um centro de conferências, com capacidade para mil pessoas, de frente para um aquário de dez metros de profundidade.

O nível mais baixo do hotel contará com um complexo de lazer com piscina e áreas exclusivas para outros esportes aquáticos. Um centro de esportes radicais para atividades como escalada e bungee jumping será instalado sobre a pedreira e acessado por elevadores especiais a partir do nível de água do hotel.

O desenho do edifício foi feito para refletir a paisagem natural da pedreira. “Nós desenhamos nossa inspiração a partir da pedreira adotando a imagem de uma colina verde caindo sob a rocha natural, como uma série de terraços ajardinados. No centro, criamos uma ‘cascata’ transparente no átrio de circulação central vertical, ligando a base da pedreira com o nível do solo, replicando uma cachoeira natural na pedreira existente”, disse Jochman Martin, que liderou a equipe do projeto.

Fazer uso de um local já impactado como este é fundamental na construção em áreas ecologicamente sensíveis. O reuso significa que o impacto ambiental será menor.

O hotel é parte integrante do projeto de uma nova cidade nos arredores de Xangai, para 500 mil pessoas, chamado Songjiang Garden City. “Nossa tarefa era interpretar e modificar o plano diretor e preparar projetos físicos para toda a cidade, com especial atenção à zona empresarial central e três distritos de habitação.”

Isto envolveu o desenvolvimento de um plano diretor conceitual utilizando a filosofia e princípios de design sustentável. Como parte do plano diretor foi desenvolvida uma hierarquia espacial global aberta.

“Propusemos um conceito de cidade sustentável, onde apenas os edifícios do distrito central de negócios são superiores a quatro andares de altura. Uma rica mistura de layouts formais e informais – dentro do distrito, e centros locais formam o coração de uma série de comunidades identificáveis. A paisagem existente é atada com cursos d’água e plantações de arroz. O layout baseia estas qualidades naturais para criar uma identidade única, utilizando parques lineares e um grande parque central para delinear as formas do plano diretor”.

O hotel resort ajudará a atender à crescente demanda do distrito e oferecerá um atrativo adicional para este bairro único.

O projeto foi o resultado da colaboração entre as equipes do Atkins em Bristol e Xangai. Foi liderada por Martin Jochman em Bristol e envolveu Paul Rice, Hu Yali, Ding Fang, Zhang Jian e Vivian Chen de Xangai.

Publicado originalmente em 11/11/11 na revista EXAME.

“Cidade Solar” na Alemanha produz 4 vezes a energia que consome

 

Ultimamente, Sonnenschiff, bairro alemão localizados na cidade de Freiburg, na Alemanha tem sido pioneiro no que diz respeito a arquitetura sustentável. A “cidade solar” realiza sua mais nova façanha através de um sistema de captação de energia solar inteligente em todos os telhados das casa apontando para a direção onde o sol pode ser melhor aproveitado. A iniciativa que parece simples, se tornou marca do lugar, sendo usado como rótulo, fazendo novas pessoas instalarem os painéis também.

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Projetada por Rolf Disch, o  Sonnenschiff enfatiza a produção de energia de forma eficiente e sustentável com a incorporação das grandes placas solares inteligentes funcionando como toldos. Os edifícios não ficam de fora, também são construídos sob os mesmos padrões e podem gerar até quatro vezes toda a energia que consomem.

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O projeto foi concebido considerando os aspectos gerais da comunidade, sua densidade, tamanho dos telhados, acessibilidade da população, espaços verdes e exposição solar. Ao todo são 52 casas no bairro, que tem seu uso residencial e comercial. Seu projeto é todo realizado sob os padrões Passivhaus e as casas possuem formas de tetos muito simples com saliências profundas que permitem que o sombreamento durante o sol.

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As casas do topo de  Sonnenschiff possuem telhados verdes que fazem pleno uso dos recursos do sistema de captação solar. Esses telhados apresentam também sistemas de aproveitamento de águas pluviais que encaminham toda a água para a irrigação dos jardins e utilização nos banheiros.

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O design do bairro é simples e iluminado por fachadas coloridas e dinâmicas. Jardins e caminhos verdes se cruzam através da circulação e liga os elementos do bairro. E a importante característica é o sendo comum dos moradores e proprietários dos imóveis em melhorar a comunidade de forma sustentável.

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Redação Arquitetura Sustentável, com informações em Inhabitat

Fonte: http://ambientalistasemrede.org/cidade-solar-na-alemanha-produz-4-vezes-a-energia-que-consome/

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Telhas Ecologicas CICLO - Ciclo Industria, Comercio e Distribuição de Materais Reciclados Ltda.

 

As telhas e chapas CICLO usam como matéria-prima: embalagens cartonadas, mais conhecidas como "tetra - pak".


Não trincam
Não quebram
95% Impermeáveis
100% recicláveis
Não propagam chamas (fogo)
Alta resistência (150 kg p/m2)
Semi-acústicas, não propagam som
Excelente isolamento termico

Fonte:http://guia.construcaoeficiente.com.br

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ESTUDO: TREPADEIRAS EM PRÉDIOS SÃO MELHOR SOLUÇÃO AMBIENTAL

 

Enquanto novas tecnologias não surgem, cobrir as paredes da “selva de pedra” com verde pode diminuir os níveis de poluição em grandes cidades com mais êxito do que se pensava. Pesquisadores na Inglaterra concluíram que o uso de muros verdes nos chamados vales urbanos – vários prédios altos alinhados nos dois lados de uma mesma rua -, formando verdadeiros corredores de vegetação vertical em movimentadas avenidas, pode reduzir os poluentes do local em até 30%.

O novo estudo das universidades de Birmingham e Lancaster contradiz a percepção anterior de que a melhoria ficaria em apenas 1 ou 2% e aponta que a medida pode ser mais eficaz do que árvores ou telhados verdes. Por meio de simulação em um programa de computador, os cientistas combinaram o que já sabiam sobre o modo que o ar circula nas cidades e como a vegetação o purifica.

O passo à frente, explica o professor de ciência atmosférica Rob MacKenzie, da Universidade de Birmingham, foi o reconhecimento de que o ar leva maior tempo circulando dentro dos vales urbanos, onde a poluição é gerada pelos carros e fica mais concentrada. Por isso, as paredes vivas seriam mais indicadas neste caso do que os telhados verdes.

“Como o vento sopra no topo dos edifícios, o ar na rua circula lentamente entre eles, dando voltas. Se a vegetação estiver dentro dos vales urbanos, a remoção será mais eficiente. Quanto mais poluição houver no local, mais rapidamente é absorvida pela vegetação. É como a agua que drena para fora da banheira mais rápido no início, quando cheia, do que no final, quando está quase vazia”, compara o coautor do estudo.

Plantas limpam o ar ao remover dióxido de nitrogênio e material particulado – partículas poluentes que se mantêm suspensas na atmosfera devido ao seu pequeno tamanho -, ambos prejudiciais à saúde. A poluição é capaz de provocar doenças cardíacas, câncer de pulmão e asma, entre outras, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que seja a causa de mais de 2 milhões de mortes por ano.

Trepadeiras ao invés de tecnologia – O novo dado sobre a eficiência dos muros verdes em vales urbanos surge em um momento que as pesquisas científicas precisam avançar para desenvolver tecnologia mais eficiente no combate ao problema.

“Você pensa que, comprando um novo veículo, teria menos poluição do que um carro que está na rua há cinco anos. Mas parece que não temos tido os benefícios que esperávamos, porque as soluções tecnológicas ainda não estão funcionando da maneira que se espera. Por isso, estão olhando para alternativas como muros verdes e supressores de pó (substâncias que funcionam como um adesivo e evita a circulação de partículas poluentes)”, aponta Gary Fuller, especialista em medição da qualidade do ar no grupo de pesquisas ambientais do King’s College, em Londres.

Preocupados com o problema, órgãos municipais no Reino Unido têm adotado aos poucos a medida, mas ainda longe de formar corredores verdes, como os cientistas de Birmingham e Lancaster sugerem. Segunda maior cidade da Inglaterra, Birmingham conta desde 2010 com um muro vivo temporário, junto a uma parte dos tapumes ao redor da construção da nova biblioteca no centro da cidade.

Já a Transport for London, órgão responsável pelo transporte público da capital britânica, instalou em julho seu segundo muro verde especialmente para aplacar a poluição próximo à estação de metrô Blackfriars, com 15 diferentes variedades de plantas em 120 m², e planeja contemplar no futuro mais locais com altos níveis de PM10, como é chamado o material particulado que pode ser inalado por humanos. Pesquisadores do conceituado Imperial College analisam a mudança na qualidade do ar nesses pontos e se certas espécies funcionam melhores como “filtros” do que outras, mas os resultados ainda não foram divulgados.

Críticas – A ideia de que o verde limpa não é nova, mas, nos últimos anos, estudos apontaram que árvores podem agravar o problema. Ao formar um túnel em uma rua com grande movimento de carros, os galhos “prendem” os poluentes no local – por isso, os muros verdes seriam mais indicados. Apesar disso, a alternativa sofre críticas. “Quanto realmente se precisa para ter algum tipo de impacto? Todo o ar deve estar em contato com a vegetação. Os melhores efeitos dos muros verdes se espera que sejam muito locais”, questiona Fuller.

Para MacKenzie, 10% de cobertura não fará diferença, mas com 50% se consegue um resultado notável. Os estudiosos ainda sugerem o uso de “green billboards” (outdoors, como os de publicidade, com vegetação) e garantem que a solução não precisa ter custo elevado – outra crítica recorrente aos muros verdes. Apesar de empresas oferecerem paredes hi-tech, com hidroponia, MacKenzie exemplifica que uma trepadeira como a hera, plantada diretamente no solo, é uma versão muito mais barata.

Mesmo com índices de poluição semelhantes, conforme a OMS, o que funciona em Londres pode não funcionar em São Paulo, alerta Fuller. Além de o clima ser distinto, a frota de carros brasileira utiliza etanol, não usado na Europa. Mas a receita para o controle da poluição nas grandes cidades inclui atacar a origem do problema, ressaltam os especialistas ouvidos pelo Terra.

“Minha visão para uma cidade limpa é que se tenha muito mais plantas dividindo o espaço conosco e bem menos ênfase em carros. Se você combinar isso, será o melhor”, defende o professor de ciência atmosférica da Universidade de Birmingham.

Fonte: Portal Terra

terça-feira, 4 de junho de 2013

Casas verdes também para os pobres


ONGs americanas criam projetos para construir casas de baixo custo ecologicamente correta. Em meio à crise econômica, a solução que beneficia o meio ambiente também ajuda o bolso dos cidadãos.

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Para quem pensava que construções ecológicas são para os ricos e
engajados nas causas ambientais, uma ONG americana mostra que as famíliasde baixa renda também podem morar numa casa mais amiga do meioambiente e isso não custa muito. No distrito de Bronx, subúrbio de NovaYork, a ONG Women's Housing and Economic Development Corporation (WHEDCo, algo como corporação para o desenvolvimento econômico e habitacional das mulheres) está lançando um projeto para construir 128 apartamentos ecologicamente corretos para famílias de baixa renda – o Intervale Green.


Esses apartamentos terão os mesmos objetivos das casas ecológicas, como a redução do consumo de energia elétrica e água, janelas que evitam a saída do calor do aquecedor, mas sem precisar de tecnologias modernas e caras. O projeto prevê mecanismos para um aproveitamento mais eficaz de energia elétrica, janelas posicionadas para aproveitar melhor a luz do sol e as lâmpadas serão do tipo fluorescente, mais potente e durável. São medidas simples e baratas que permitirão aos moradores dessas casas uma economia de 30% nas contas no fim do mês, segundo Nancy Biberman, fundadora e presidente da ONG Whedco. “Para eles, se tornar verde é uma questão de sobrevivência. É importante para o meio ambiente, mas é muito mais importante para seus bolsos”, disse Nancy à Time.


Outros projetos como esse estão se desenvolvendo nos Estados Unidos. A ONG Carrfour Supportive Housing, que ajuda pessoas sem-teto, está construindo 145 apartamentos verdes em Miami e pretende receber a certificação Leed, o selo americano mais reconhecido para provar que a construção é sustentável.


A economia de energia que essas construções permitem podem ser um estímulo em meio à crise econômica. Segundo o Departamento de Desenvolvimento Urbano e Moradia dos Estados Unidos, famílias de baixa renda gastam cerca de 17% de sua renda com contas de energia e água. Esse é um dos motivos pelo qual o presidente Barack Obama está se esforçando para destinar mais verba a projetos de construção de casas ecológicas em seu pacote de estímulos econômicos.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com

domingo, 2 de junho de 2013

A moderna construção sustentável

A moderna construção sustentável
por Márcio Augusto Araújo

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Construção sustentável é um sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação, habitação e uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.


Essa definição encontra-se de acordo com o conceito de sustentabilidade proposto pelo relatório Bruntland, da ONU, que lançou as bases da economia sustentável a partir do axioma: “Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações em satisfazer suas próprias necessidades”.


Desde seus primórdios, em 1973, ano da Crise do Petróleo, até o presente, a visão sobre o que é Construção sustentável vem se modificando e aprofundando, à semelhança dos organismos vivos quando submetidos a pressões para adequar-se e sobreviver.


No início, a discussão era sobre edifícios energeticamente mais eficientes. O desafio era superar a Crise do Petróleo através de prédios menos energívoros, no dizer de Lucia Mascaró. Depois, o inimigo passou a ser o entulho gerado pela obra; depois, a água; a seguir, o lixo dos moradores e usuários; agora, o novo vilão são as emissões de CO2 e os gases responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global.


Começou-se a perceber que a construção sustentável não é um modelo para resolver problemas pontuais, mas uma nova forma de pensar a própria construção e tudo que a envolve. Trata-se de um enfoque integrado da própria atividade, de uma abordagem sistêmica em busca de um novo paradigma: o de intervir no meio ambiente, preservando-o e, em escala evolutiva, recuperando-o e gerando harmonia no entorno.


Pensar e viver sustentável

O conceito de moderna construção sustentável baseia-se no desenvolvimento de um modelo que enfrente e proponha soluções aos principais problemas ambientais de sua época, sem renunciar à moderna tecnologia e à criação de edificações que atendam as necessidades de seus usuários.


Trata-se de uma visão multidisciplinar e complexa, que integra diferentes áreas do conhecimento a fim de reproduzir a diversidade que compõe o próprio mundo. A construção sustentável edifica microcosmos. Em seu arcabouço teórico encontram-se conhecimentos de arquitetura, engenharia, paisagismo, saneamento, química, elétrica, eletrônica, mas também de antropologia, biologia, medicina, sociologia, psicologia, filosofia, história e espiritualidade.


Por isso, para se atingir uma construção sustentável que atenda as recomendações das Normas ISO 21930 e ISO 15392, é importante pensar e atuar de forma holística, sem dividir e decompor em partes estanques e separadas o que se propõe para a edificação. Não se trata de formar inúmeras equipes multidisciplinares cada qual especializada em um campo na obra sustentável -o que a tornaria acessível apenas a proprietários e investidores de alto poder aquisitivo, mas sim de criar a cultura da sustentabilidade no seio da própria sociedade. Dessa forma, muito mais do que um tema de “domínio público” do qual muito se fala, mas pouco se faz, o conhecimento da construção sustentável poderá tornar-se um saber e um viver público, ou seja, um processo cultural.

Obra responsável


Quanto mais sustentável uma obra, mais responsável ela será por tudo o que consome, gera, processa e descarta. Sua característica mais marcante deve ser a capacidade de planejar e prever todos os impactos que pode provocar, antes, durante e depois do fim de sua vida útil.


Segundo o arquiteto e pesquisador colombiano Javier Barona, a ferramenta básica para a identificação do estado e das necessidades gerais de uma obra que se pretende sustentável é a Análise de Ciclo de Vida. O estudo da Análise de Ciclo de Vida (ACV) tem sido aceito por toda a comunidade internacional como a única base legítima sobre a qual comparar materiais, tecnologias, componentes e serviços utilizados ou prestados.


As Normas ISO 14000 –que propõem um padrão global de certificação e identificação de produtos e serviços no segmento ambiental- já incorporam a ACV, sendo as mais difundidas: ISO 14040 de 1998 – Gestão Ambiental, ACV, Princípios e Estruturas; ISO 14041, de 1998 – Gestão Ambiental, ACV, Definição de Objetivos, Alcance e Análise de Inventários; ISO 14042, de 2000, Análise do Impacto de Ciclo de Vida e ISO 14043, de 2000, Interpretação do Ciclo de Vida.


Recentemente, a construção ganhou normas próprias no âmbito da sustentabilidade, por meio do sistema ISO. São elas as normas ISO 21930 (2007) - Sustentabilidade na construção civil – Declaração ambiental de produtos para construção e ISO 15392 (2008) – Sustentabilidade na construção civil – Princípios gerais. É do Comitê Técnico da ISO, também, o seguinte conceito de obra sustentável:


“Edificação sustentável é aquela que pode manter moderadamente ou melhorar a qualidade de vida e harmonizar-se com o clima, a tradição, a cultura e o ambiente na região, ao mesmo tempo em que conserva a energia e os recursos, recicla materiais e reduz as substâncias perigosas dentro da capacidade dos ecossistemas locais e globais, ao longo do ciclo de vida do edifício. (ISO/TC 59/SC3 N 459)”


Princípios gerais


A moderna construção sustentável, num ideal de perfeição, deve visar sua auto-suficiência e até sua auto-sustentabilidade, que é o estágio mais elevado da construção sustentável. Autosustentabilidade é a capacidade de manter-se a si mesmo, atendendo a suas próprias necessidades, gerando e reciclando seus próprios recursos a partir do seu sítio de implantação.

As diretrizes gerais para edificações sustentáveis podem ser resumidas em nove passos principais, que estão conformes ao que recomendam alguns dos principais sistemas de avaliação e certificação de obras no mundo. Os Nove Passos para a Obra Sustentável são:


1. Planejamento Sustentável da obra
2. Aproveitamento passivo dos recursos naturais
3. Eficiência energética
4. Gestão e economia da água
5. Gestão dos resíduos na edificação
6. Qualidade do ar e do ambiente interior
7. Conforto termo-acústico
8. Uso racional de materiais
9. Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis

Cada um destes passos é imprescindível para se chegar a uma obra sustentável e à autosustentável, assim como, no corpo humano, não se pode prescindir de nenhum dos órgãos vitais, como o coração, o fígado, os pulmões, os rins e o cérebro. Um resumo breve de cada um destes passos é:

  • planejamento do ciclo de vida da edificação – ela deve ser econômica, ter longa vida útil e conter apenas materiais com potencial para, ao término de sua vida útil (ao chegar o instante de sua demolição), ser reciclados ou reutilizados. Sua meta deve ser resíduo zero;
  • aproveitamento dos recursos naturais –como sol, umidade, vento, vegetação- para promover conforto e bem-estar dos ocupantes e integrar a habitação com o entorno, além de economizar recursos finitos, como energia e água;
  • eficiência energética - resolver ou atenuar as demandas de energia geradas pela edificação, preconizando o uso de energias renováveis e sistemas para redução no consumo de energia e climatização do ambiente (sistemas de ar condicionado, no Brasil, em prédios comerciais, respondem por cerca de 35% da demanda energética);
  • eficiência na gestão e uso da água – economizar a água; tratá-la localmente e reciclá-la, além de aproveitar recursos como a água da chuva;
  • eficiência na gestão dos resíduos gerados pelos usuários da edificação;
  • prover excelentes condições termo-acústicas, de forma a melhorar a qualidade de vida física e psíquica dos indivíduos;
  • criar um ambiente interno e externo com elevada qualidade no tocante a paisagem local e qualidade atmosférica e elétrica do ar
  • prover saúde e bem-estar aos seus ocupantes ou moradores e preservar o meio ambiente.
  • usar materiais que não comprometam o meio ambiente, saúde dos ocupantes e que contribuam para promover um estilo de vida sustentável e a consciência ambiental dos
    indivíduos.
  • resolver localmente ou minimizar a geração de resíduos;
  • estimular um novo modelo econômico-social, que gere empresas de produtos e serviços sustentáveis e dissemine consciência ambiental entre colaboradores, fornecedores,
    comunidade e clientes;

Edificação saudável


Toda edificação sustentável é saudável. A finalidade de uma construção sustentável não é apenas preservar o meio ambiente, mas também proteger seus ocupantes ou moradores da poluição dos grandes centros urbanos. Ela não pode gerar doenças, como os prédios que acarretam a Síndrome do Edifício Doente (SEE*).

A edificação sustentável deve funcionar como uma segunda pele do morador ou usuário. Ela é a sua extensão, como ensina o geobiólogo espanhol Mariano Bueno. A edificação deve funcionar como um ecossistema particular. Assim como no planeta Terra, as interações no interior e entorno da eco-habitação devem reproduzir ao máximo as condições do meio: umidade relativa do aradequada para o ser humano, temperatura estável, sensações de conforto, segurança e bemestar.

Materiais


A escolha dos produtos e materiais para uma obra sustentável deve obedecer a critérios específicos –como origem da matéria-prima, extração, processamento, gastos com energia para transformação, emissão de poluentes, biocompatibilidade, durabilidade, qualidade, dentre outros-, que permita classificá-los como sustentáveis e elevar o padrão da obra, bem como melhorar a qualidade de vida de seus usuários/habitantes e do próprio entorno. Essa seleção também deve atender parâmetros de inserção, estando de acordo com a geografia circundante, história, tipologias, ecossistema, condições climáticas, resistência, responsabilidade social, dentre outras leituras do ambiente de implantação da obra.


É importante evitar ou minimizar o uso de materiais sobre os quais pairem suspeitas ou que reconhecidamente acarretem problemas ambientais, tais como o PVC (policloreto de vinil), que gera impactos em sua produção, uso e descarte/degradação (sua queima gera ácido clorídrico e dioxina) e alumínio (que provoca grandes impactos ambientais para sua extração e requer imensos gastos energéticos durante sua produção e mesmo reciclagem, se comparado a outros materiais).


Outros produtos, quando na ausência de opções mais eco-eficientes, devem ser usados criteriosamente quando no interior da edificação, caso de materiais compensados ou de madeira recomposta, como os OSBs e MDFs, que contêm em sua elaboração adesivos à base de formaldeído (substância tóxica) e que não são recicláveis ou mesmo biodegradáveis.

A obra sustentável
O número de etapas a serem observadas para se chegar a uma obra sustentável e saudável é grande, uma vez que a mesma é, parodiando o escritor e filósofo italiano Umberto Eco, aberta, mutável e em permanente evolução e melhoramento. Como prerrogativa da construção sustentável recomenda-se a aceitação de dois elementos-chave: 1) sua complexidade; e 2) sua pluralidade.


Uma obra sustentável jamais pode ser copiada sem deixar de ser fiel a si mesma, pois é um sistema ‘vivo’, que obedece ao princípio de que ‘cada organismo tem sua própria necessidade de interação com o meio’. Não há, portanto, uma ‘receita de bolo’ para uma obra sustentável, mas pontos em comum que devem ser atingidos, de conformidade com a máxima da Rio-92: “Pensar global e agir local”.

É a partir do local de implantação e de todas suas interações (ecológicas, sociais, econômicas, biológicas e humanas), do perfil do cliente e das necessidades do projeto, que se define uma obra sustentável.

Apêndice
Tipos de Construção sustentável

A Construção sustentável é uma síntese das escolas, filosofias e abordagens que associam o edificar e o habitar à preocupação com preservação do meio ambiente e saúde dos seres vivos.

Para ela convergem tendências como: arquitetura ecológica, arquitetura antroposófica, arquitetura orgânica, arquitetura bioclimática, arquitetura biológica, bioconstrução, ecobioconstrução, domobiótica, arquitetura sustentável, construção ecológica, construção e arquitetura alternativas, earth-ship (navio terrestre) e permacultura.


Os principais tipos de Construção sustentável resumem-se, basicamente, a dois modelos: a) construções coordenadas por profissionais da área e com o uso de ecoprodutos e tecnologias sustentáveis modernas, fabricados em escala, dentro das normas e padrões vigentes para o mercado; e b) sistemas de autoconstrução, feitos pelo próprio interessado ou usuário, sem contar diretamente com suporte de profissionais (daí serem chamados de autoconstrução).

Este tipo de construção ultrapassa mais de 60% das obras civis no Brasil e incluem grande dose de criatividade, vontade pessoal do proprietário e responsável pela obra.Construção com materiais sustentáveis industriais – Construções edificadas com ecoprodutos fabricados industrialmente, adquiridos prontos, com tecnologia em escala, atendendo a normas, legislação e demanda do mercado. É a mais viável para áreas de grande concentração urbana, porque se inserem dentro do modelo sócio-econômico vigente e porque o consumidor/cliente tem garantias claras, desde o início, do tipo de obra que estará recebendo.


Construção com resíduos não-reprocessados (Earthship) – Consiste na utilização de resíduos de origem urbana com fins construtivos, tais como garrafas PET, latas, cones de papel acartonado, etc. Comum em áreas urbanas ou em locais com despejo descontrolado de resíduos sólidos, principalmente onde a comunidade deve improvisar soluções para prover a si mesma a habitação.

Um dos exemplos mais notórios de Earthship ‘intuitivo’ e sem planejamento são as favelas dos grandes centros urbanos. No entanto, também pode ser um modelo criativo de Autoconstrução, com o uso destes mesmos resíduos a partir de concepções de Ecodesign (projeto sustentável).

Construção com materiais de reuso (demolição ou segunda mão) - Esse tipo de construção incorpora produtos convencionais descartados e prolonga sua vida útil, evitando sua destinação para aterros sanitários ou destruição por processos perigosos (como queimas ou descarte em botas-fora). Requer pesquisa de locais para compra de materiais, o que limita seu alcance e caráter universal. Este tipo de construção só pode ser considerada sustentável pelo prolongamento da vida dos materiais reutilizados, uma vez que estes, em geral, não têm origem sustentável.

Construção alternativa - Utiliza materiais convencionais disponíveis no mercado, com funções diferentes das originais. É um dos modelos principais adotados em comunidades carentes ou sistemas de autoconstrução. Exemplos: aquecedor solar com peças de forro de PVC como painel para aquecimento de água.


Construção natural – É o sistema construtivo mais ecológico, portanto, mais próximo da própria natureza, uma vez que integra a edificação com o ambiente natural e o modifica ao mínimo.

Respeita o entorno e usa materiais disponíveis no local da obra ou adjacências (terra, madeira, pedra etc.); utiliza tecnologias sustentáveis de baixo custo (apropriadas) e desperdiça o mínimo de
energia em seus processos. Exs.: tratamento de efluentes por plantas aquáticas, energia eólica por moinho de vento, bombeamento de água por carneiro hidráulico, blocos de adobe ou terra-palha, design solar passivo. É um método adequado principalmente para áreas rurais ou para áreas que permitam boa integração com o entorno, onde haja pouca dependência das habitações vizinhas e das redes de água, luz, esgoto construídas pelo poder público. O planejamento avançado deste sistema, que também que se insere nos princípios da Autoconstrução, também é conhecido como Permacultura [4].

Ref,:
1 – Tecnologia Apropriada. Tecnologia desenvolvida pelo próprio morador e/ou comunidade, com aplicação no próprio local. Termo cunhado na década de 1970, pelo economista E.F.Schumacher.
2 – Autoconstrução. Sistema construtivo em que o próprio morador e/ou comunidade constróem sua habitação, com ou sem a ajuda de um profissional da área.
3 - Síndrome do Edifício Enfermo (SEE). Patologia catalogada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no início da década de 1980, cuja ocorrência se dá em prédios e edifícios com má ventilação e baixa dispersão de poluentes internos (gás carbônico, fumaça de cigarro e automóvel, emissão e acúmulo de compostos orgânicos voláteis). Considera-se que um edifício está “enfermo” quando cerca de 20% de seus moradores ou usuários apresentam sintomas semelhantes como:
irritação nasal e ocular, problemas respiratórios e mal-estares em geral.4- Permacultura – A palavra “permacultura” é um neologismo cunhado pelo australiano Bill Mollinson a partir da aglutinação das palavras perma(nente) e (agri)cultura. A permacultura, mais do que um modo sustentável para construção, consiste num estilo de vida sustentável, que toma por base a agricultura e o chamado “design da natureza”, de forma a criar um ambiente que integre o ser humano ao meio ambiente.


Artigo por Márcio Augusto Araújo, consultor do IDHEA – Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica, www.idhea.com.br, marcio@idhea.com.br

PROJETO INOVADOR COM A UDESC, TRANSFORMA CONCHAS EM MATERIAL PRECIOSO PARA CONSTRUÇÃO CIVIL

 

Santa Catarina produz uma grande quantidade de mariscos e ostras, mas ainda não tem uma boa solução para as conchas. Os mariscos ou mexilhões geralmente são vendidos pré-cozidos, descascados e congelados e, portanto, as conchas se amontoam nas usinas de beneficiamento. Já as ostras são distribuídas vivas e inteiras, logo as conchas são um problema para restaurantese consumidores finais.

Em média, as conchas correspondem a 80% do peso dos mariscos, de modo que a uma produção anual de 13 mil toneladas _ como a de Santa Catarina em 2008 - corresponde um monte de resíduos com mais de 10 mil toneladas. Muitas vezes esses resíduos acabam no lixo comum ou, pior, entulham o litoral e os cursos d’água.

Na tentativa de eliminar o problema e ainda gerar uma nova fonte de renda para os maricultores, um grupo de pesquisadoras estudou a viabilidade técnica de transformar esse lixo em matéria prima. A pesquisa foi objeto do mestrado de Michele Regina Rosa Hamestera em Engenharia Mecânica (2010), e do projeto de iniciação científica de Bruna Louise Silva, ambas do Instituto Superior Tupy (IST), com orientação da química Palova Santos Balzer, do IST, e da engenheira química Daniela Becker, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), ambas com doutorado em Engenharia de Materiais.

“As conchas de mariscos e ostras são compostas basicamente por carbonato de cálcio, um mineral empregado como carga de enchimento na produção de compósitos plásticos, como o polipropileno utilizado em embalagens e o PVCde tubulações, conduítes e perfis, usados na construção civil”, explica Daniela. O recurso de adotar carga de enchimento visa reduzir custos, porém a matéria prima utilizada deve ter certas características, de modo a não alterar as propriedades do produto final.

O carbonato de cálcio empregado na fabricação de compósitos plásticos normalmente vem de jazidas minerais, mas o estudo das pesquisadoras catarinenses mostrou a viabilidade de usar fontes biológicas: as conchas de mariscos e ostras.

“Obtivemos as conchas em usinas de beneficiamento e em alguns restaurantes, graças ao apoio de técnicos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri)”, acrescenta a engenheira da Udesc. “Desenvolvemos um processo bem simples, sem uso de químicos, apenas com moagem e queima (para retirar restos orgânicos), de modo a viabilizar sua adoção nas próprias usinas de beneficiamento dos mariscos, sem risco de causar poluição”.

Os pós de carbonato de cálcio obtidos têm uma coloração mais cinzenta do que o mineral das jazidas, sendo que o das ostras é mais claro e o dos mariscos, mais escuro. Mas os dois foram aprovados quanto às propriedades técnicas.

Segundo relata Daniela Becker, foram produzidas pequenas peças de polipropileno e PVC com o pó das conchas, depois submetidas a testes mecânicos (tração, torção, resistência) e de temperatura (fusão, cristalização). “Os resultados obtidos mostraram o mesmo comportamento dos compósitos feitos com material comercial, confirmando a viabilidade técnica do processo”, diz. A viabilidade econômica não foi avaliada, mas será o próximo passo, a cargo dos maricultores.

A pesquisa foi realizada no decorrer de dois anos e apenas a aluna de iniciação científica, Bruna Silva, contou com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc). O mestrado foi financiado com recursos particulares.

Em resumo, uma ideia simples, bem pensada e bem testada, pode resultar em uma alternativa inteligente e sustentável de reciclagem de resíduos, gerando até uma fonte adicional de renda para quem trabalha com ostras e mariscos. Nada como uma boa dose de Ciência e Tecnologia para fazer das conchas novos produtos!

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Fonte: Fotos: Michele Hamestera (ao alto: concha de ostra à esq. e de mariscos à dir. e abaixo, da esq. para a dir.: carbonato de cálcio de jazida, de conchas de ostras e de conchas de mariscos) ( fonte: Revista Fapesc e www.projetoconchas.ufsc.br/.../1210425132.PDF)