Na década de 1990, países europeus, EUA e Canadá desenvolveram as primeiras metodologias de avaliação ambiental de edifícios para auxiliar o cumprimento de metas ambientais locais estabelecidas a partir da ECO92. Com a difusão dos conceitos de projeto ecológico (Green Design) e de construções verdes (Green Building), as avaliações ambientais se tornaram necessárias para quantificar e qualificar os investimentos e benefícios da construção sustentável.
Os principais sistemas de avaliação internacionais concentram-se exclusivamente na dimensão ambiental da sustentabilidade. Mas é importante ampliar essa visão e estendê-la para a avaliação de sustentabilidade das edificações, contemplando também os aspectos sociais e econômicos relacionados à produção, operação e modificação do ambiente construído.
Histórico
O primeiro método de avaliação ambiental de edificações foi criado no Reino Unido, em 1990. O BREEAM (BRE Environmental Assessment Method), como ficou conhecido, embasou vários sistemas orientados para o mercado, como o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) elaborado por membros do USGBC (United States GreenBuilding Council) em 1999 e o CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency) apresentado em 2002 pela Japan Sustainability Building Consortium (JSBC).
Entre os métodos orientados à pesquisa metodológica estão o BEPAC (Building Environmental Performance Assessment Criteria), de 1993, e seu sucessor, o GBC (Green Building Challenge), desenvolvido por um consórcio internacional iniciado pelo Canadá em 1996.
O Green Building Challenge deu origem ao GBTool (Green Building Assessment Tool), que se caracteriza por possibilitar a adequação às prioridades e especificidades regionais. Esse sistema recebe contribuições de grupos de trabalho de diversos países, incluindo o Brasil, o que lhe confere uma feição internacional.
Em geral, os métodos para avaliação de sustentabilidade de ambientes construídos são baseados em indicadores quantitativos e qualitativos definidos e mensurados em função do entendimento de desenvolvimento sustentável e do papel do ambiente construído neste contexto. Consequentemente, a diversidade de métodos propostos reflete estas diferentes interpretações, acentuadas ainda pelas especificidades regionais, particularizando valores e relevância do que deve ser mensurado.
Certificação no Brasil
Atualmente, há dois sistemas de avaliação com possibilidades de certificação no Brasil. Um deles é o AQUA (Alta Qualidade Ambiental), definido como um processo de gestão de projeto que visa obter a qualidade ambiental de um empreendimento novo ou de uma reabilitação. O AQUA é derivado da versão francesa HDE (Association Haute Qualite Environnementale).
Para o AQUA, a obtenção do desempenho ambiental de uma construção envolve tanto uma vertente de gestão ambiental quanto uma de natureza arquitetônica e técnica. Um dos métodos mais confiáveis para tanto é se apoiar numa organização eficaz e rigorosa do empreendimento. Esta é a razão pela qual o referencial técnico de certificação estrutura-se em dois instrumentos, permitindo avaliar os desempenhos alcançados com relação aos dois elementos que estruturam esta certificação:
1 - Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) - avalia o sistema de gestão ambiental implementado pelo empreendedor. A implementação do Sistema de Gestão do Empreendimento permite definir a Qualidade Ambiental visada para o edifício e organizar o empreendimento para atingi-la. Concomitantemente, permite controlar o conjunto dos processos operacionais relacionados às fases de programa, concepção e realização da construção.
2 - Qualidade Ambiental do Edifício (QAE) - avalia o desempenho arquitetônico e técnico da construção. A avaliação da QAE é o processo que permite verificar, em diferentes fases do empreendimento, que o perfil ambiental visado seja atingido. Para isso, convém confrontar as características do empreendimento com as exigências do método aplicável ao perfil visado. A avaliação da QAE consiste, assim, em se assegurar que as características do empreendimento atendem aos seus critérios de avaliação.
Fonte: Construção Sustentável - Potencialidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável na Construção Civil – Sinduscon-PE (2008).