A construção verde ou sustentável é uma abordagem ambientalmente consciente e eficiente para a criação de estruturas que leva em conta todo o seu ciclo de vida, desde os materiais utilizados até a eficiência do seu uso e disposição dos resíduos decorrentes.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Casa literalmente verde

Projeto na Áustria lembra tela de pintor holandês Escher: coberta de grama, tem escadas totalmente desconectadas

 

Por Casa e Jardim Online

Telhados verdes são feitos comuns para arquitetos. Além de embelezar, esses jardins têm a função de refrescar e dar uma boa acústica para a casa. Mas o que leva um profissional a revestir um imóvel inteiro comgrama?

Esta casa, localizada em um campo aberto de Frohnleiten, na Áustria, tem características excepcionais. Por sí só já é uma construção contemporânea: linhas retas, blocos suspensos, grandes janelas e até escadas de concreto desconectadas, que levam de lugar nenhum para lugar algum, a tornam curiosa. Mas o projeto ganha destaque por se conectar com a natureza de uma forma muito original: ela foi inteiramente coberta pela planta na versão sintética. Desenhada por Reinhold Weichlbauer e Josef Albert Ortis, da Weichlbauer Ortis Architects, este imóvel realmente se confunde com a paisagem. Veja as imagens.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Brasil é o 4º líder mundial em construções sustentáveis

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O Brasil já ocupa a quarta posição no ranking mundial de construções sustentáveis, de acordo com o órgão internacional Green Building Council (US GBC). “Começa a despontar como um dos países líderes desse mercado, que vem crescendo muito nos últimos anos”, disse o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado.

O primeiro prédio sustentável brasileiro foi registrado em 2004. O conceito começou a ganhar força, porém, a partir de 2007, informou Casado. De 2007 até abril de 2012, o Brasil registra um total de 526 empreendimentos sustentáveis, sendo 52 certificados e 474 em processo de certificação no US GBC. Até 2007, eram apenas oito projetos brasileiros certificados.

O ranking mundial é liderado pelos Estados Unidos, com um total de 40.262 construções sustentáveis, seguido pela China, com 869, e os Emirados Árabes Unidos, com 767. Marcos Casado lembrou que, nos Estados Unidos, esse processo começou 15 anos antes do que no Brasil. “Eles já têm uma cultura toda transformada para isso e nós ainda estamos nessa etapa inicial de mudar a cultura e provar que é viável trabalhar em cima desse conceito na construção civil, que é um dos setores que mais causam impacto ao meio ambiente”.

Já existe, segundo o gerente técnico do GBC Brasil, o engajamento do setor da construção nesse tipo de mercado, que se mostra bastante aquecido no país e no mundo. Além disso, Casado destacou que há um conhecimento maior por parte das pessoas, devido aos benefícios que esse conceito acaba introduzindo na construção. “Eles vão desde a economia dos recursos naturais e a redução dos resíduos, até a redução dos custos operacionais da edificação, depois do seu uso. Isso vem levando as construtoras e grandes empresas a adotar esse conceito”.

Para Casado, as construções sustentáveis são uma tendência mundial. “A gente tem hoje, só em certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) no mundo, mais de 60 mil projetos. Então, é uma tendência muito grande e a gente percebe que esse número cresce a cada dia”. Desde agosto do ano passado, vem sendo registrado pelo menos um projeto por dia útil no Brasil, buscando certificação. Marcos Casado estima que até o fim deste ano, o número de empreendimentos sustentáveis brasileiros em certificação alcance entre 650 e 700.

Os chamados prédios verdes não têm, entretanto, nível de emissão zero de gás carbônico. “Mas a gente reduz muito esses impactos”, explicou o gerente. Em vários países do mundo, já existem prédios autossustentáveis, que geram a própria energia que consomem e neutralizam o carbono emitido. Essa tecnologia, entretanto, ainda não foi implantada no Brasil. “A gente está caminhando para isso. Acredito que, em breve, em cinco ou dez anos no máximo, a gente vai estar com esses edifícios também no Brasil”.

Para os moradores de prédios sustentáveis, também há benefícios, declarou. “Para o usuário comercial ou residencial, a grande vantagem está no custo operacional, porque eu reduzo, em média, em 30% o consumo de energia, entre 30% e 50% o consumo de água, além de diminuir a geração de resíduos”. O custo operacional fica, em média, entre 8% e 9% mais barato do que em um prédio convencional. Por isso, relatou Casado, os prédios sustentáveis são mais valorizados pelos construtores e apresentam preço mais alto. “A contrapartida vem no custo operacional. Acaba sendo mais barata a operação e ele equilibra esse custo financeiro”.

O GBC Brasil está iniciando um trabalho com a Companhia de Desenvolvimento Urbano de São Paulo para incorporar o conceito de sustentabilidade também em construções populares. Cobertura verde, aproveitamento da água pluvial, aquecimento solar e aumento do pé direito para melhoria do conforto são alguns dos itens em estudo. “Isso acaba barateando o custo operacional”.

O GBC Brasil desenvolve também o projeto da Copa Verde. Estão sendo certificados com o selo de sustentabilidade 12 estádios que se acham em reforma ou em construção nas cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014. O projeto Greening the Games: How Brazil’s World Cup Is Driving Economic Changes’ (Tornando os Jogos Verdes: Como a Copa do Brasil Está Levando a Mudanças Econômicas) será apresentado no próximo dia 16 de junho, no auditório T9 do Riocentro, onde ocorrerá a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

No dia 18, a organização divulgará um documento oficial sobre construção sustentável em evento paralelo à conferência da ONU, no Forte de Copacabana, “visando a expandir essa economia verde no país”. O evento é organizado pelas federações das Indústrias dos estados do Rio de Janeiro (Firjan) e São Paulo (Fiesp), entre outras entidades.

Fonte: http://uipi.com.br

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O que é Construção Sustentável?

Entrevista concedida pelo consultor Márcio Augusto Araújo, ao Portal do Voluntário:
www.portaldovoluntario.org.br


Há quanto tempo existe o IDHEA e qual seu principal objetivo?
O IDHEA - Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica é o primeiro Centro de Referência no Brasil para uso de ecoprodutos e tecnologias sustentáveis fabricados em escala industrial, com aplicação em arquitetura e construção sustentável. Foi fundado em 1999 e é uma entidade privada que atua no mercado, através da prestação de serviços de Consultoria para Construção Sustentável e Reforma Ecológica; Cursos, Palestras, Eventos, e Desenvolvimento de Ecoprodutos. Além disso, o IDHEA também representa ecoprodutos fabricados industrialmente por empresas credenciadas.


Sua missão é:
• Incentivar um estilo de vida sustentável pela produção e uso de materiais e tecnologias que resultem num meio ambiente mais preservado e numa sociedade mais saudável, segura e solidária.
• Difundir o mercado de ecoprodutos e a construção sustentável no Brasil e na América Latina.
• Difundir um novo paradigma econômico com base na cooperação entre pessoas físicas, empresas, ONGS e governos, como modelo mais adequado para enfrentar o desafio por um mundo sustentável. O IDHEA acredita que um mundo ou sociedades baseadas em competitividade só pode conduzir aos limites do caos, que hoje vivemos.


O que é uma construção sustentável?
Construção Sustentável é um sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação e uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.

Qual é o conceito de sustentabilidade aplicado na construção de casas?
Para uma obra ser considerada sustentável, ela deve causar o menor impacto sobre o meio ambiente e a saúde de seus ocupantes. Esta é a linha-mestra.

Como deve ser uma casa considerada sustentável?
Há nove passos principais para uma construção sustentável, que podem ser listados da seguinte maneira:


1. Planejamento Sustentável da Obra
2. Aproveitamento passivo dos recursos naturais
3. Eficiência energética
4. Gestão e economia da água
5. Gestão dos resíduos na edificação
6. Qualidade do ar e do ambiente interior
7. Conforto termo-acústico
8. Uso racional de materiais
9. Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis

No entanto, nem sempre é possível atender a todos estes passos, em função de custos e desconhecimento de metodologia, materiais e tecnologias.


Qual a diferença entre materiais ecológicos e sustentáveis?
A diferença principal está na origem da matéria-prima e no processo de fabricação. O termo 'produto ecológico' surgiu pela primeira vez em 1978, na Alemanha, e referia-se então a artigos de origem agrícola (depois chamados de 'orgânicos'). Posteriormente, serviu para identificar materiais fabricados que: a) fossem produzidos com matérias-primas naturais renováveis (vegetais) ou não renováveis (como a terra, que é natural, mas 'não nasce de novo', podendo, contudo, ser reutilizada ou até mesmo reabsorvida); b) materiais de extração local ou próximos dos locais de uso -exs.: blocos de terra
(adobes); coberturas de madeira cortada (taubilha) etc.; c) materiais com pequeno dispêndio de energia para sua obtenção, transformação e beneficiamento. Em geral –e isso vai na direção de um senso comum generalizado-, produtos ecológicos são fabricados no local de uso, de forma artesanal ou semiartesanal.Materiais sustentáveis, por sua vez, são aqueles que aportam benefícios para toda construção, entorno e
meio ambiente, sem, no entanto, serem necessariamente naturais. São fabricados em escala industrial. Exemplos: tintas minerais; materiais reciclados; painéis solares fotovoltaicos, tubulações isentas de PVC ou recicladas, dentre outros.


Já existe no Brasil mercado para este tipo de produto, tanto para fabricantes quanto consumidores?
Sim, existe um mercado crescente, tanto de consumidores como de fabricantes.

É caro construir uma casa sustentável utilizando este material?
Sim e não. Primeiro o “não”: basta o cliente adequar sua realidade financeira ao que pretende em termos de obra sustentável, ou seja, é importante, antes de começar a construir, fazer um estudo de viabilidade econômica da obra sustentável. Se o cliente não fizer isso, ele corre o risco de ter seu ‘payback’ (retorno financeiro) só depois de 50 anos! Ora, sustentabilidade é um tripé que envolve economia,
ecologia e ganho social. Um projeto que não contemple isso, já perde, de saída, parte de seu viés sustentável.


Isso significa que nem sempre se poderá ter uma casa de alto padrão ou com soluções prontas, na forma de produtos que possam ser adquiridos no mercado. Às vezes, será preciso lançar mão de criatividade e até mesmo de soluções caseiras ou artesanais que reduzam custos, mas que permitam uma abordagem ‘eco’ da edificação. Exemplos: Usar garrafas PET transparentes com água clorada no telhado da casa, para iluminação natural; fazer pisos de cimento CP III ‘queimado’; usar pneus como elemento estrutural de muros de arrimo, e por aí vai.


Agora, o “Sim”. Não há um modelo único de construção sustentável. Cada caso é um caso, e é preciso avaliar uma série de interfaces –como perfil do cliente, local de implantação da obra, solo, clima, umidade relativa do ar, temperatura, vegetação e ecossistema no qual se está inserido, materiais disponíveis na região etc.- antes de se definir a obra. Nunca se sai escolhendo um material ou fazendo um projeto de acordo com a idéia do cliente ou do arquiteto. O que conta é a somatória de todos estes elementos, que formarão o conjunto de ações que resultarão na obra sustentável.


Podemos dizer com certeza que, quanto mais sustentável uma edificação, a tendência é que seu custo de implantação aumente. Principalmente se não houver um planejamento muito bem feito desde o início e se este planejamento não for obedecido. O que mais custa numa obra sustentável são as tecnologias sustentáveis, para uso e conservação de água e energia, e itens de acabamento e interiores.

Deve-se considerar, também, que a mão-de-obra tenha que receber treinamento especial para aplicação de materiais. Lembro que um dos setores mais conservadores da economia no Brasil e no mundo é o da
construção civil. Isso significa que há dificuldades em se introduzir novos métodos e materiais; é a chamada barreira cultural. Quebrar isso também tem um preço, que deve ser considerado por quem vai
iniciar uma obra sustentável ou eco-reforma.


É possível fazer uma reforma para tornar sua casa sustentável?
Sem dúvida. Já fizemos e fazemos várias. E uma empresa? O mesmo conceito de sustentabilidade pode ser aplicado na construção de um prédio ou uma empresa?
Claro. Veja o exemplo da obra do Banco Real (imagem ao lado).


Já existem muitos exemplos de construções sustentáveis no país? Quantos projetos o instituto já desenvolveu?
Há alguns exemplos de obras que receberam suporte do IDHEA para escolha e aplicação de ecoprodutos e instalação de tecnologias e sistemas sustentáveis, caso da Agência Granja Viana, do Banco Real ABN AMRO, em Cotia (Grande São Paulo). Até aqui, é a edificação que mais usou ecoprodutos em uma só obra. Além disso, essa construção recebeu um certificado internacional pelo LEED (Liderança em Energia
e Projeto Ambiental).


Esclareço que o IDHEA não faz projetos (com exceção de sistemas de reuso de água), mas presta assessoria a profissionais do ramo da construção ou a pessoas físicas e jurídicas empenhadas em construir sustentavelmente, orientando-os sobre as melhores soluções sustentáveis, ecoprodutos, tecnologias sustentáveis e como aplicá-los. Quais são os impactos mais imediatos na adoção de construções e tecnologias ecológicas e sustentáveis?

Há impactos “bons” e “maus”. Os (realmente) bons: benefícios para o meio ambiente, saúde dos seres vivos, consciência do ser humano e consciência planetária. Os (relativamente) maus: impacto no bolso
do cliente, pois uma obra realmente sustentável, quanto mais em busca da perfeição, é mais cara do que uma obra tradicional.