Imagem: ecocentro.org
O conceito de Biologia das Construções – baubiologie nasceu na Alemanha como resposta aos problemas associados ao abuso do uso do concreto armado e materiais sintéticos, ligados a uma arquitetura fria e impessoal, que afasta seus usuários dos processos biológicos naturais. É conhecida ainda como a técnica especializada na utilização de sistemas construtivos e materiais com uma qualidade biótica elevada, sem prejudicar o meio ambiente e o ser humano.
Dentre os vários conceitos de construções sustentáveis conhecidos atualmente, para a Biologia das Construções toda edificação para ser sustentável, essencialmente, precisa ser saudável. A arquitetura sustentável não deve se preocupar apenas em preservar o meio ambiente, mas também garantir a saúde dos seus ocupantes e sensibilizá-los para um estilo de vida com mais consciência ambiental. Deve harmonizar-se com o clima, a tradição, a cultura e o ambiente na região. Desta forma, pode-se afirmar que uma construção sustentável não pode gerar doenças, como os prédios que acarretam a Síndrome do Edifício Enfermo (SEE).
Segundo o IBN (Institut für Baubiologie + Ökologie Neubeuern), os 25 princípios da Biologia das Construções são:
Localização natural
1. O terreno deve ser livre de anomalias naturais e perturbações geobiológicas.
2. As habitações devem ser afastadas de fontes de emissões e ruído, longe de centros industriais e vias de tráfego intenso.
3. A urbanização deve ter baixa densidade e amplas áreas verdes.
4. A edificação deve ser personalizada, em harmonia com a natureza e orientada ao ser humano e à família.
Balanceamento da radiação eletromagnética
5. A radiação cósmica e terrestre é essencial e deve sofrer o mínimo possível de alteração.
6. Reduzir ao mínimo ou, preferencialmente, eliminar a radiação eletromagnética e radiofreqüência produzida pelo homem.
7. O campo magnético natural da Terra não deve ser alterado.
8. O equilíbrio natural entre a eletricidade atmosférica e a concentração iônica deve ser mantido.
Clima Interno
9. Luz, iluminação e cores devem estar de acordo com as condições naturais.
10. A edificação deve ter um odor agradável ou neutro, e nenhuma toxina deve estar presente.
11. Poluentes devem ser filtrados e neutralizados, minimizando a presença de fungos, bactérias, poeira e alérgenos.
12. A umidade interna do ar deve ser regulada naturalmente.
Conforto térmico
13. A umidade total em uma edificação deve ser baixa e capaz de secar rapidamente.
14. É necessário um equilíbrio entre isolamento térmico e retenção de calor.
15. As temperaturas do ar e das superfícies devem ser otimizadas.
16. As paredes, pisos e tetos devem ser difusíveis e higroscópicos.
17. Sistemas de aquecimento devem ser baseados em calor radiante, usando o máximo possível de calor solar.
Design Saudável
18. Os materiais de construção devem ser naturais e não adulterados.
19. Utilizar materiais de construção com pouca ou preferencialmente nenhuma radioatividade.
20. Medidas de proteção contra poluição sonora e vibrações infra e ultrasônicas devem ser orientadas aos padrões humanos.
21. O projeto de interiores e mobiliário deve ser projetado de acordo com padrões de ergonomia e design universal.
22. Devem ser utilizadas medidas, proporções e formas harmônicas.
Proteção Ambiental, eficiência energética e responsabilidade social
23. As atividades de construção não devem contribuir para a exploração de recursos raros e não renováveis.
24. A produção, utilização e descarte dos materiais de construção não devem contribuir com o aumento da poluição ambiental e altos custos de energia.
25. As atividades de construção não devem causar um aumento nos custos sociais e médicos.
Assim, destaca-se a necessidade da escolha de um terreno onde será construída uma casa ou uma empresa, pois a correta posição desta edificação no seu entorno tem uma grande importância para prevenir futuras enfermidades. Por isso a Biologia das Construções deve atuar de forma integrada com os conceitos da Geobiologia, a fim de levantar as áreas, dentro de um terreno, mais favoráveis à vida, servindo de orientação ao arquiteto para projetar espaços em conformidade com as redes geobiológicas e radiações provenientes do subsolo, como falhas geológicas e veios de água subterrâneos.
Existem terrenos homogêneos e terrenos que apresentam grandes anomalias magnéticas, cuja explicação se dá através da presença de minerais ferromagnéticos ou às rupturas ou descontinuidade dos subsolos minerais. Nestes locais geopatogênicos é comum verificar nas edificações gretas ou fissuras nas paredes, além de problemas de umidade ascendente.
Quando se trata de residências, o arquiteto deve retratar a casa como um elemento acolhedor, e esta deve atender às imagens arquetípicas do abrigo, condicionantes de uma casa emocionalmente satisfatória. Os arquétipos do abrigo defendido por Jung e Freud são a caverna (necessidade instintiva de refúgio), a clareira (necessidade da abertura, para a luz e para o ar), o jardim (necessidade de se relacionar com a natureza) e a água (elemento essencial à vida).
A Arquitetura Sustentável hoje deve reconhecer as raízes instintivas do homem em sua relação com a terra, o céu e os elementos de sua existência material, utilizando a ideia de proporção, harmonia e beleza em seus projetos.
Partindo deste conhecimento, o arquiteto pode se dedicar ao projeto arquitetônico e atentar aos materiais a serem utilizados na construção. Deve-se fazer uso de materiais preferencialmente naturais que não dispersem substâncias químicas (COV – Compostos Orgânicos Voláteis) no ambiente, mas também respeitem os limites mínimos de salubridade quanto à toxicidade e radioatividade dos materiais. Sabe-se que os próprios materiais de construção emanam radiações, em magnitudes que vão desde 20/50 milirads/ano da madeira, aos 50/250 milirads/ano em certos tipos de concreto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a dose máxima de radiação tolerada é de 500 mR/ano, valor este muito próximo quando expostos em uma residência rica em concreto.
Assim, um novo conceito de Arquitetura Sustentável deve respeitar a individualidade das pessoas e dos espaços onde pretendem viver ou trabalhar, fugindo do modelo cartesiano empregado pelos arquitetos do séc. XX. Essa arquitetura deve proporcionar uma relação mais sentimental com aqueles que a usufruem, afinal a casa não deve ser vista nunca como uma máquina, e sim como um ser vivo como nós.
Fonte: http://tellus.arq.br
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