A cada dia vem crescendo o interesse das pessoas pela bioconstrução, construção natural ou bioarquitetura. Mas o que seria isso? Mais uma forma de ‘marketing verde’ ou realmente uma mudança dos padrões e técnicas das construções convencionais?
A bioconstrução é a harmonia entre a edificação e o ambiente na qual será inserida. Buscando elevar o grau de interação dessa edificação com o seu entorno e os vários seres que a habitam. Utilizam-se materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação será construída. Apresentando um caráter local ou regional, visando assim, um menor impacto para o meio ambiente.
A terra, devido à sua versatilidade e ampla disponibilidade, tem sido utilizada como material de construção em todos os tempos e continentes. É um dos mais antigos materiais de construção do planeta. Há mais de dez mil anos o homem já usava o barro para levantar casas. Mesmo hoje em dia, estima-se que mais da metade da população do mundo viva em habitações de barro.
A construção com terra assume diversas formas, todas elas resultam em obras sólidas e bonitas, que resistem ao tempo e ao uso, incluindo adobe, cob, taipas e fardo de palha. Essas formas de construção com barro são endêmicas em toda Europa Ocidental e Central, no Oriente Médio e na Península Arábica, Índia, China, África Equatorial e no centro-oeste do continente americano.
No entanto a terra continuou sendo utilizada como principal material para construção em diversos países.
Bioconstruções que atravessaram séculos no Brasil e no Mundo:
- Parte dos 9000km da Muralha da China foi feita utilizando a técnica Taipa de Pilão, perdurando por mais de 2000 anos.
- A antiga cidadela de Arg-é Bam no Irã foi a maior construção de adobe do mundo, datando 500 A.C. Infelizmente em 2003 a construção e as cidades no entorno foram destruídas quase por completo por um terremoto.
O Templo do Sol (Huecas del Sol) no Peru, conta com mais de 100 milhões de tijolos de adobe. Outras construções importantes de barro no Peru são: a cidade inca Tambo Colorado e a cidade de Chan Chan na costa norte, um dos sítios arqueológicos mais preciosos do mundo.
- A região de Devon na Inglaterra é tradicional pelas suas construções de Cob.
- A cidade de Santa Fé nos Estados Unidos é outra cidade com diversas construções de Adobe esbanjando luxo e modernidade. Com destaque da torre do Museu de Poeh, a mais alta estrutura de adobe do Novo México.
- No Brasil a construção com barro é difundido principalmente no Norte e Nordeste do país, mas como são construções que não observam os cuidados necessários acabam sofrendo rápida degradação. Contudo as cidades históricas de Ouro Preto em Minas Gerais e Pirenópolis em Goiás mostram a durabilidade da construção com terra.
O Cob foi muito popular na Europa no século XIII, tornando-se padrão em muitas partes do Reino Unido, permanecendo assim até a Revolução Industrial. Com o surgimento das máquinas a vapor e das ferrovias acabaram reduzindo drasticamente o preço do transporte e popularizando o tijolo cozido (convencional). A siderúrgica permitiu o barateamento do ferro e possibilitou a fabricação de pequenas peças desse metal fundido, revolucionando a construção civil, entre outras áreas.
A Revolução Industrial nos trouxe as máquinas a vapor, indústrias, ferrovias, energia elétrica, petróleo, energia nuclear e hoje a informática e a robótica. Rompeu a barreira do desenvolvimento econômico, tecnológico e científico e deu aos homens a visão do ‘progresso’. Em nome desse ‘progresso’ acentuamos um dos maiores problemas da humanidade, o consumo exagerado e a destruição do recursos naturais.
Um dos principais poluidores e agentes dessa destruição está na maneira em que construímos. A indústria da construção civil é hoje responsável pelo maior consumo dos recursos naturais no planeta. Hoje são destinados para construção civil ¼ da madeira extraída, 2/5 da energia consumida e 1/6 da água potável.
Foi buscando soluções para esses e outros problemas que surgiu o Ecocentro IPEC. Há 14 anos vem desenvolvendo, aperfeiçoando e experimentando técnicas para construir sustentavelmente. Utilizando a confiabilidade e solidez de séculos das técnicas antigas, tais como, adobe, cob e a taipa de pilão. E buscando ao redor do mundo e do Brasil novas técnicas para experimentar, adaptar e inserir no Ecocentro, como o superadobe, taipa leve , bloco in-loco, tijolo de solocimento e o tijolo armado. Os materiais e técnicas modernas foram aproveitados para melhorar ainda mais a qualidade, a durabilidade, o conforto térmico e a sanidade destas construções.
Caminhando pelo Ecocentro pode-se ver diferentes técnicas da construção natural. Sendo um centro de pesquisa, quase todas as edificações apresentam diversas técnicas de diferentes maneiras e designs. Sempre visando um mínimo impacto ao meio ambiente e na maioria das vezes melhorando a biodiversidade e os seus habitats naturais.
Um bom exemplo é a Vila Ecoversitária que utilizou a terra do local e onde escavado fizeram-se laguinhos, melhorando o microclima, aumentando a biodiversidade, além de um ambiente mais agradável e bonito.
A Cúpula ‘Centro Bill Mollison de Estudos Sustentáveis’ é a construção mais formidável e imponente pelo seu tamanho e beleza arquitetônica. É toda construída com tijolos de solociomento.
No Sítio Sustentável foi utilizado o bloco in-loco, na Cozinha Industrial o superadobe, na administração o superadobe e o fardo de palha, na recepção o bloco in loco, banheiros coletivos e todas as cisternas de ferrocimento e nas casas dos moradores e eco cabanas foram utilizadas praticamente todas as tecnologias. Além do Museu do Solo que expõe detalhadamente algumas técnicas e seu processo de construção.
A terra crua como material de construção:
• regula a umidade ambiental,
• regula a temperatura interna,
• são totalmente recicláveis,
• diminuem a contaminação ambiental,
• são mais economicas,
• economizam energia,
• e são muito mais divertidas para construir!
A alta durabilidade e resistência já vem sendo testada a milênios. Agora só falta você por a mão na massa!!!
por Lumiar Ramos
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